A ÉTICA DA CIÊNCIA

A HOMEOPATIA NO BRASIL está a caminho de comemorar seus quase 170 de anos de história e a caminho de completar 3 décadas de um histórico reconhecimento como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina.

Estas quase 3 décadas têm se constituído em período de grande amadurecimento, crescimento e respeito nas nossas relações institucionais. Tal fato tem se apresentado em todas as situações e momentos, mesmo nos mais delicados.

A mais recente indicação deste fato está expressa na declaração do presidente do CRM-MS, Dr. Antonio Carlos Bilo, com relação à atitude de colegas homeopatas daquele estado acerca de iniciativas sobre intervenção terapêutica e profilática, em relação à gripe A (H1N1), onde afirmou “... se for a orientação da homeopatia, que é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, acreditamos que estejam fazendo nas melhores das intenções no sentido profilático”.

Não é o mérito terapêutico em si, que estamos analisando neste momento, pois isto, fundamentalmente, o tempo e as experiências nos darão melhores respostas, e o fórum para tal seguramente será outro. Queremos mesmo é destacar a importância de tal declaração, e afirmarmos que a recíproca de respeito às nossas instituições maiores, tais quais o CFM, os CRMs, a AMB e todas as suas federadas e sociedades de especialidades irmãs, assim como as sociedades de áreas de atuação é também um fato presente entre os homeopatas brasileiros e suas entidades, representados pela AMHB. Reafirmamos e repetimos a retribuição pública do nosso respeito, acrescido dos nossos agradecimentos pela fraterna e pela harmônica convivência com todos!

No entanto, contrastando com este clima de harmonia nacional, tivemos acesso a noticias de que a OMS lançou uma advertência através de alguns de seus especialistas, contra o uso da homeopatia no tratamento de doenças como AIDS, TUBERCULOSE E MALÁRIA. Tal declaração foi uma resposta da OMS ao alerta de um grupo de “cientistas” que “temem que a promoção da homeopatia nos países em desenvolvimento possa por em risco a vida de muitas pessoas”. Tais “cientistas”, pertencentes a uma tal “rede de jovens cientistas”, uma ONG denominada Voice of Young Science Network, que se diz preocupada com os povos da África que sofrem de inúmeras doenças, dentre as quais, disseminadas doenças infecto-contagiosas. O Dr. Robert Hagan, pesquisador em ciência biomolecular da Universidade de St. Andrews, na Escócia e membro da tal rede, afirma, conforme diz a notícia: “precisamos que os governos do mundo reconheçam os perigos de promover a homeopatia para o tratamento de doenças mortais”. Após tal dramatização, segue afirmando que os militantes de seu movimento precisam de reforço e apoio para que se mostrem contrários à prática referida.

Queridos jovens cientistas, realmente é preciso pedir socorro para promover uma cruzada quando as intenções não estão claras, principalmente quando se trata de CIÊNCIA. Sabemos, é verdade, que a CIÊNCIA nem sempre está ligada à vida. Pode até estar francamente ligada à morte, haja vista as guerras neo-imperialista, carregadas de meticulosos cálculos científicos para promover o sofrimento e a morte de diversos povos. Aliás, o termo guerra cirúrgica tem se tornado comum, assim como a chamada “guerra nas estrelas”. Mas voltemos ao assunto principal.

Aqui no Brasil, temos experiência para responder a estas preocupações específicas sobre homeopatia e o bem estar da saúde do povo, pois somos um país em desenvolvimento e temos quase 30 anos de especialidade médica homeopática reconhecida pelo nosso CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. E com certeza, a homeopatia aqui não representou perigo algum para a população. E trabalha em equilíbrio e sintonia com todos os outros campos do conhecimento e da ciência, pelo bem estar do nosso povo e dos nossos doentes.

Pelo que sabemos e temos experiência também, podemos afirmar com segurança que as populações irmãs da África são vítimas de doenças e outros males, frutos principalmente do domínio imperialista e sua herança deixada a estes povos, de fome, miséria, saques e guerras, a que foram vítimas durante séculos. A homeopatia com certeza não faz parte em momento algum, da história que deixou esta herança maldita. Mas poderá fazer parte da vida deste povo na construção do seu progresso e independência, daqui por diante. E se depender de nós e das instituições brasileiras, colocaremos nossa experiência à disposição daqueles povos sim, e com orgulho! Não queiram pensar que vocês entendem mais de país em desenvolvimento do que nós, muito menos de homeopatia. Seria muita pretensão de vossa parte negar a nossa experiência nestes dois temas e afirmar acima de tudo a experiência de vocês.

Do ponto de vista científico, a homeopatia se baseia na teoria da lei dos semelhantes, e só para início de conversa, esta lei AFIRMA “Que o que pode causar uma doença, pode também curar uma doença semelhante”. Se analisarmos o tratamento das doenças infecto-contagiosas, às quais os senhores recorreram para atacar a homeopatia, vamos encontrar paradoxos que vem ocorrendo nas resistências desenvolvidas em vários  tratamentos que os senhores desejam defender como conhecimento exclusivo, desejando banir outras possibilidades mesmo auxiliares ou complementares ao tratamento,  pela veemência de suas posições. Tomo este, entre inúmeros outros, como exemplo inicial: o surgimento e o desenvolvimento de resistências aos tratamentos químicos de viroses, tão presentes na África, agravando não só o estado dos doentes, mas tirando cada vez mais a chance de novos doentes contaminados se tratarem no futuro, com os medicamentos anteriormente usados, num processo interessante de conhecimento, onde uma nova lei se apresenta, ao inverso da homeopatia, ou seja, o que SE USA PARA CURAR, PODE ADOECER CADA VEZ MAIS; O QUE SE USA PARA CONTROLAR A REPRODUÇAO E A AGRESSIVIDADE DE UM VÍRUS, AUMENTA CADA VEZ MAIS SUA CAPACIDADE REPRODUTIVA E SUA MESMA AGRESSIVIDADE ENQUANTO DOENÇA, e o que é pior, transmitido a gerações futuras. Na verdade, poderíamos também discutir a resistência do câncer aos quimioterápicos, ou o aumento da resistência das dores aos analgésicos, quando a doença não é vencida pelos mesmos. O que resiste, fica mais grave. Como ciência é um ramo do conhecimento humano que exige uma teoria e uma prática com nexo estabelecido entre ambos, temos aí uma prática observada no dia a dia. Qual é a teoria que justifica estas observações? Enquanto a homeopatia cura e trata através da lei dos semelhantes, vários pacientes acabam adoecendo cada vez mais como conseqüência dos efeitos dos próprios tratamentos propostos. E por qual Lei, senhores “cientistas”, justificamos estes fatos? Como podemos ver este não será um debate fácil nem rápido! Temos muito que conversar e muito mais a esclarecer. E disposição não nos faltará.


 

A CIËNCIA QUE O DIGA!
 

Vitória, Espírito Santo, Brasil, 30 de agosto de 2009.
 
Abraços,
Dr. Carlos Alberto Fiorot
Presidente da AMHB

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